Image

Lenda do Tesouro do Padilhão

Último episódio da minissérie Vozes da Quaresma traz a lenda do Tesouro do Padilhão

Data
26 de Marco de 2026

O último episódio da minissérie promovida pela Folha de Campo Largo, “Vozes da Quaresma” apresenta uma mais uma lenda do imaginário popular campo-larguense, a história do Tesouro do Padilhão, contada pelo historiador Renato Hundsdorfer, que se passa em uma fazenda que pertenceu a Francisco Pinto de Azevedo Portugal, personagem ligado a antigas narrativas sobre riquezas escondidas na região.
Segundo Renato, a lenda remonta à figura de Leocádio Gonçalves Padilha, conhecido como Padilhão, que foi tenente-coronel, vereador em Campo Largo e um dos homens mais ricos da cidade em seu tempo, proprietário de grandes extensões de terra e fazendas nos Campos Gerais e arredores. Entre seus bens estava a Campina do Rio Verde, área que posteriormente foi vendida ao Governo Provincial para a implantação de uma colônia de imigrantes italianos, inicialmente chamada de Campina e, mais tarde, de Balbino Cunha.
De acordo com a narrativa popular, o valor pago pela área foi alto para os padrões da época, e Leocádio teria levado a quantia até sua fazenda. “Como não existiam instituições bancárias como hoje, surgiu a preocupação: onde guardar tanto dinheiro? Inspirado em histórias semelhantes da região, como a de Antonio Luiz Lanin, o ‘Tigre’, que também teria escondido riquezas em uma fazenda, Padilhão teria decidido enterrar o tesouro em local secreto, em um dos seus campos”, retrata Renato.
A lenda conta que, para isso, ele levou um de seus escravizados até um ponto afastado do campo, cavou um grande buraco e escondeu ali o dinheiro. Em seguida, ordenou que o homem entrasse no local e jurasse que protegeria o tesouro. Depois do juramento, Padilhão teria matado o escravizado e o enterrado ali mesmo. Desde então, segundo a crença popular, a alma do homem permaneceria guardando o local até hoje.

O espírito continua a guardar o tesouro
Renato também relata que, ao longo dos anos, a história continuou despertando curiosidade. Paranormais, curiosos e até youtubers já teriam tentado localizar o suposto tesouro com equipamentos modernos, durante incursões noturnas na área. Em um desses episódios, segundo ele, um dos jovens envolvidos foi encontrado na região do Bugre, em estado de desorientação, já todo sujo, depois de sair correndo pela mata. Segundo ele, o jovem nunca mais voltou a ser como era antes de decidir passar a noite na mata.
Por esse motivo, o historiador opta por não revelar o local exato onde a lenda estaria situada. A decisão, segundo ele, busca preservar tanto a segurança das pessoas quanto a integridade do espaço, que fica em propriedade particular.

Por Caroline Paulart