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Vozes da Quaresma: Parque Newton Puppi

Vozes da Quaresma resgata lenda ligada ao Parque Newton Puppi no segundo episódio da minissérie

Data
12 de Marco de 2026

Por Caroline Paulart

Dando continuidade ao projeto especial “Vozes da Quaresma”, a Folha de Campo Largo apresenta nesta semana o segundo episódio da minissérie dedicada ao resgate de contos e lendas que fazem parte do imaginário popular do município. A narrativa desta vez é conduzida pelo historiador campo-larguense Milton Muginoski e tem como cenário o Parque Newton Puppi, conhecido também como Parque Cambuí.
A proposta do projeto é revisitar histórias transmitidas de geração em geração, especialmente durante o período da Quaresma. No passado, era comum que famílias se reunissem para compartilhar narrativas carregadas de simbolismo, muitas vezes associadas a ensinamentos morais ou a acontecimentos que marcaram a memória coletiva da comunidade.
Segundo os historiadores envolvidos no projeto, essas histórias integram o patrimônio imaterial da cidade. Não se tratam de relatos históricos comprovados, mas de narrativas que ajudam a compreender como as pessoas interpretavam o mundo ao seu redor, transmitindo valores e tradições por meio da cultura popular.

A lenda do Parque Cambuí
No episódio desta semana, Muginoski relembra um relato preservado na memória de moradores antigos da região, inclusive presente no livro “Lendas e Contos populares do Paraná”, do Governo do Paraná. A história originalmente escrita no livro foi contada pela moradora Marli Padilha, nascida na região conhecida como Granja ou Parque Cambuí à época.
De acordo com o relato, nas proximidades das antigas ruínas existentes na mata, teriam funcionado estruturas ligadas a um engenho movido por roda d’água. Segundo a tradição popular, em determinadas noites do ano, especialmente nas noites de lua cheia, algumas pessoas afirmam ouvir sons que lembrariam lamentos vindos da área onde ficaria uma antiga senzala. A narrativa popular diz que esses sons seriam de um negro acorrentado que teria permanecido guardando um suposto tesouro pertencente ao antigo proprietário da fazenda. A lenda também afirma que quem libertasse esse homem encontraria o tesouro escondido.
“Um episódio curioso que reforçou o imaginário popular ocorreu anos atrás, quando ainda funcionava no local a Subestação de Enologia. Durante uma manutenção em uma casa antiga, construída no século XVIII, trabalhadores encontraram uma ossada no forro da residência. O caso mobilizou o Instituto Médico Legal, responsável pela retirada dos restos mortais, e acabou repercutindo na imprensa da época. A descoberta despertou especulações entre moradores, que associaram o achado às histórias antigas da região e à possibilidade de que os ossos pertencessem a um escravo ligado às narrativas sobre o suposto tesouro da fazenda”, relembra Milton.

História do local
Hoje conhecido como um dos principais espaços públicos de lazer da cidade, o Parque Newton Puppi possui uma trajetória histórica que remonta ao século passado. A área originalmente fazia parte da Chácara Floresta, propriedade da família do desembargador Clotário Portugal. Em 1943, durante a gestão do interventor Manoel Ribas no Paraná, a propriedade foi adquirida pelo governo estadual.
No ano seguinte, as terras foram doadas ao Ministério da Agricultura, que implantou no local a Subestação de Enologia. A unidade desenvolvia pesquisas voltadas à fruticultura e à produção de vinhos, difundindo cepas vindas principalmente da França e da Alemanha e adaptando-as às condições climáticas da região.
Em 1969, a estrutura passou a ser denominada Estação Experimental de Enologia. Porém, na década de 1970, uma praga conhecida como “margarodes” atingiu os parreirais da estação, comprometendo os projetos de pesquisa. Com isso, as atividades foram encerradas e a área retornou ao governo estadual. Em 1982, o espaço foi transferido oficialmente para o município de Campo Largo, tornando-se o parque que hoje integra a rotina de lazer da população.

Série continua nas próximas semanas
A minissérie “Vozes da Quaresma” terá ao todo quatro episódios, publicados sempre às sextas-feiras pela Folha de Campo Largo. Cada história é apresentada por um historiador convidado, com o objetivo de valorizar narrativas que fazem parte da memória cultural do município.
O primeiro episódio trouxe a tradicional Lenda da Lagoa, associada à origem da Lagoa Grande e à simbologia da Semana Santa. Leia clicando aqui.