Por Caroline Paulart
A Folha de Campo Largo lança, neste mês de março, o quadro especial “Vozes da Quaresma”, uma minissérie dedicada ao resgate de contos e lendas que fazem parte do imaginário popular do município. Ao longo de quatro sextas-feiras, o jornal publicará uma história por semana, sempre apresentada por um historiador convidado.
A proposta é revisitar narrativas transmitidas oralmente de geração em geração, especialmente durante o período da Quaresma, época em que, no passado, famílias se reuniam para compartilhar histórias carregadas de simbolismo e ensinamentos morais.
A colaboradora do Museu Histórico de Campo Largo, Maria Clara Stroparo, e o historiador Milton Muginoski explicam que essas narrativas integram o patrimônio imaterial da cidade, pois são relatos transmitidos oralmente, sem compromisso com a verdade histórica ou comprovação científica, mas que fazem parte da cultura popular. Segundo eles, muitas dessas histórias trazem um ensinamento moral, uma mensagem simbólica ou até mesmo algum fato cômico ou inexplicado para a época retratada.
Lenda da Lagoa
A série estreia com a tradicional Lenda da Lagoa, escolhida justamente pela relação direta com a Semana Santa. Segundo Maria Clara, a narrativa funciona como um alerta simbólico sobre o respeito ao período religioso.
“Conta-se que, em uma Semana Santa, várias pessoas resolveram fazer um baile na igreja que ficava onde hoje é a Lagoa Grande. O padre, quando soube, ficou indignado com a falta de respeito à data, entrou no baile e começou a falar sobre a Bíblia e o que significava a Semana Santa. Repreendeu todos os presentes e saiu muito bravo, mas esqueceu sua Bíblia sobre uma mesa. Quando voltou para buscá-la, viu que tanto a igreja quanto as pessoas haviam desaparecido, consumidas pelas águas da lagoa. Até hoje, nunca foram encontrados vestígios da construção ou de quem estava na festa”, relata.
Maria Clara reforça que o valor dessas histórias não está na comprovação factual, mas no significado cultural, já que essas narrativas eram contadas principalmente durante a Quaresma, quando havia maior observância religiosa. Elas funcionavam como advertências simbólicas e ajudavam a transmitir valores importantes para a época.
Nas próximas semanas, outras três lendas ambientadas em Campo Largo serão apresentadas dentro do quadro “Vozes da Quaresma”.

