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Profissão palhaço

Muito além das pinturas no rosto e das risadas. “O voluntário diminui suas crenças e convicções para tornar o paciente seu principal foco”

Data
21 de Dezembro de 2017

Quem vê um grupo de atores fantasiados de palhaços chegando ao Hospital Infantil Waldemar Monastier não imagina o estudo por trás das brincadeiras e da alegria promovida. O grupo Nariz Solidário vai muito além do voluntariado, realiza estudos para que os atores da companhia saibam realizar um atendimento e dar atenção àquelas pessoas, da forma mais humanizada possível.

Segundo um dos fundadores do grupo, Eduardo Roosevelt, hoje na companhia há 22 palhaços, dois psicólogos, um coordenador de Artes e um diretor artístico, que trabalham para manter o Nariz Solidário como uma das principais referências no Estado. As apresentações são direcionadas aos pacientes internados no Sistema Único de Saúde (SUS) e abrangem desde crianças, no Hospital Infantil em Campo Largo, adultos, no Cajuru, e também idosos internos no Hospital Zilda Arns, em Curitiba. São feitas apresentações quinzenais nos hospitais e os atores são divididos em escalas.

Um ponto interessante realizado pelo Nariz Solidário e principal característica que o destaca dos demais é a forma séria com que é tratado o palhaço. “No nosso grupo, o voluntário diminui suas crenças e convicções para tornar o paciente daquele leito o seu principal foco. Ele deve ter em mente que o palhaço vem para dar ênfase ao que há de bom naquele momento, de fato a alegria e a humanização. São deixados de lado as convicções religiosas ou políticas e orientação sexual não devem intervir naquele momento. Nós nos entregamos totalmente ao personagem e aos pacientes, familiares e colaboradores que estão ali”, reitera.

O grupo realiza atualização de técnicas e membros novos levam de seis meses a um ano para começarem a atuar. Eles também se preocupam em agradar e divertir pessoas que estão em volta do paciente, uma vez que familiares e colaboradores também estão imersos em um atmosfera mais pesada, que é a rotina hospitalar. “Eles também têm problemas, preocupações e precisam de atenção. Então não é somente o paciente, levamos em consideração todo o ambiente, é uma pesquisa bastante profunda”, diz.

Nem só de Natal vive a solidariedade

 

Embora pessoas muito bem intencionadas apareçam durante datas festivas para entregar presentes, Eduardo lembra que não só no Natal há pessoas internadas. “É importante que vá fazer o bem no Natal, por exemplo, mas é necessário criar essa consciência. Nós realizamos o nosso trabalho o ano todo e procuramos quebrar a rotina. Falamos sobre o Natal, sim, mas porque não fazer uma Festa Junina nessa data? É uma liberdade que só a palhaçaria (arte de ser palhaço) consegue proporcionar”, revela.

ONG

 

Com o surgimento da ONG, titulada em outubro desde ano, o Nariz Solidário consegue receber doações para a manutenção do seu trabalho. É possível doar por meio do site Apoia-se, pelo link apoia.se/narizsolidario. O dinheiro arrecadado é utilizado para gastos com deslocamento e caracterização dos atores, por exemplo. Também pode ajudar comprando o calendário, diretamente na página do Facebook.com/narizsolidario. Conheça melhor e acompanhe pelo Instagram, no @narizsolidario.